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«As melhores e as mais lindas coisas do mundo não se podem ver nem tocar. Elas devem ser sentidas com o coração.» Charles Chaplin

quinta-feira, 28 de junho de 2012



Queria poder abraçar-te só mais uma vez.

Quando somos crianças não temos noção de como é o ciclo da vida humana, por isso nunca me tinha passado pela cabeça que poderia perder-te a qualquer momento, tinha a infantil ideia de que eras eterna.

Custa dizer que te amo e não estares aqui para eu voltar a ver o brilho dos teus olhos; ver essas rugas que agora, chego à conclusão que essas rugas demonstravam a tua beleza natural, a mais bonita que podia existir no mundo, a única que não estava escondida por detrás de uma máscara, a única que teve a coragem de se expor a nu, sem medos. Ainda me lembro de como era tocar na tua pele gasta, que era tão suave como uma pétala de uma rosa acabada de nascer. Chamavas a atenção das pessoas pelos anos que já somavas e pelas experiências que já tinhas passado. E a peruca, que era a tua maior mentira e o teu ponto mais fraco, era o símbolo de vinte e três anos que lutavas por conseguir ver mais um dia nascer, vinte e três anos em que sobrevivias a uma doença e ao mesmo tempo cuidavas de uma outra, onde ias buscar todas as forças possíveis para conseguires ainda cuidar da tua pequenina inocente. 

Quando caímos na realidade, a saudade enche-nos não só o peito, mas o corpo todo. E é isso, são as saudades dos teu mimos, dos teus sorrisos, que me enchem o corpo.

Sei que nunca me esquecerás, tal como eu todos os dias antes de dormir lembro-me de ti, do teu rosto, da tua voz.

Eras uma mulher frágil e safavas-te muito bem ao fazeres-te de forte. Estejas onde estiveres, sei que sabes de tudo o que se passou e o que se passa. Serás sempre um bocado de mim, serás sempre a mulher da minha vida, apenas ganhaste asas cedo demais.

AVÓ♥



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