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«As melhores e as mais lindas coisas do mundo não se podem ver nem tocar. Elas devem ser sentidas com o coração.» Charles Chaplin

sábado, 28 de abril de 2012


São apenas palavras escritas em simples papéis, ou se preferires, escritas em rascunhos que não tem um início nem um fim, que não tem sentido nem um objetivo concreto. Palavras serenas, seguras, meigas, piedosas, palavras que ocultam a pena que ele lhes mete.

Numa madrugada límpida, num jardim onde as folhas caiem tão devagar quase como os minutos custam a passar no relógio da minha sala, a erva fresca que já não era cortada a uns dias, o cheiro intenso a terra húmida da chuva dos últimos tempos. A baixa estava deserta, parecia que passara por aquele reino quase tão belo e perfeito como o reino dos céus, uma tempestade da qual o tamanho se tornara irreal e imaginável, madrugada a qual estava tudo dentro das cavernas de olhos fechados e encolhidos como coelhos com medo de serem apanhados ao sair da toca. E eu ali, sonhando acordado com os teus cabelos loiro, brilhantes como as estrelas, tão belos como o sol, valiosos como o ouro. Sentia o medo, mas era graças a esse sentimento que tu entravas na minha cabeça e eu via-te como se tivesses mesmo a meu lado, por isso que pedia para que o medo se tornasse eterno. O bom que era estar sentado sob a luz fraca de um candeeiro de jardim, com um livro na mão, com um braço a volta da tua cintura para te aquecer enquanto fazias a tua renda, com o céu negro como o carvão, podiam considerar um cenário obscuro e medonho, mas para mim era o paraiso. Mas a verdade é que metade deste cenário era fruto da minha mente doentia.

Passara pela minha cabeça se eu era o único que conseguia ver a beleza de uma chuva, de uma baixa vazia, de um silêncio profundo, de uma paz que é capaz de consolar qualquer desgraça.  Eu conseguia viver, suportar isto tudo, os olhares, os refúgios, as conversas de café, conseguir até conseguia, mas se estivesses a meu lado, era tudo mais fácil e os problemas minimizavam-se para metade, a teu lado enfrentava olhares, criticas, juízos, frio, chuva, até a morte, tudo o que pedisses e quisesses, tornava-te na rainha do meu reino e no meu diamante preferido, o que tem mais rubis e o mais brilhante de todos, o que no meio dos outros sobressai em qualquer instante. Tal como disse são apenas palavras escritas em rascunhos, um dia mais tarde iram ser frases bordadas a ouro, quando a rainha do meu reino voltar.



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